Sábado, 23 de Janeiro de 2010

Cirrose

 

 

Cirrose hepática - Bem-Estar - Gostei!

 

 

"A cirrose hepática é o resultado final de anos de agressões ao fígado, sendo caracterizada pela substituição do tecido hepático normal por nódulos e tecido fibroso. No fundo, nada mais é do que a cicatrização do fígado. Onde deveria haver tecido funcionante, há apenas fibrose (cicatriz).


Como era de se esperar, quanto mais extensa for a cirrose, menor é o número de células saudáveis e maior é o grau de insuficiência hepática. Em última análise, a cirrose é um estado de falência do fígado, um órgão nobre sem o qual não conseguimos sobreviver.


Várias doenças podem levar a cirrose. Entre as mais comuns podemos citar:


a) Cirrose alcoólica


É uma causa prevínivel de cirrose. O consumo diário e prolongado de álcool pode levar ao desenvolvimento de lesões hepáticas. Por mais que algumas pessoas achem pouco, 720 ml de cerveja ou 300 ml de vinho consumidos diariamente já são considerados fatores de risco para doenças do fígado, principalmente em mulheres.


O consumo regular de álcool leva a esteatose hepática (fígado gorduroso), que pode evoluir para hepatite alcoólica, e por fim, para cirrose e falência hepática.


b) Hepatites virais


As hepatites virais crónicas, principalmente B e C, são causas comuns de lesão do fígado, podendo levar a cirrose após anos de doença ativa. Muitas vezes o paciente sequer desconfia ser portador de um dos vírus, só descobrindo muitos anos depois quando os sintomas da cirrose começam a se manifestar.


c) Hepatite auto-imune


É uma doença auto-imune, onde o nosso organismo começa inapropriadamente a produzir anticorpos contra o próprio fígado, como se este fosse um ser invasor, um corpo estranho que não nos pertence.



d) Esteatose hepática não alcoólica


Não só o consumo regular de álcool, mas outros fatores também podem levar a um fígado gorduroso. A esteatose hepática pode evoluir para hepatite e posteriormente cirrose. As principais causas são obesidade, diabetes, uso crónico de corticóides e desnutrição

e) Cirrose biliar primária


Também um doença de origem auto-imune onde há destruição das vias biliares e consequentemente do fígado.



f) Outras doenças

·        Hemocromatose

·        Doença de Wilson

·        Deficiência de alfa 1 anti-tripsina

·        Fibrose cística

·        Colangite esclerosante primária

·        Hepatite por drogas

 

Sintomas da Cirrose

Para um melhor entendimento, podemos dividir os sintomas da cirrose entre aqueles causados pela insuficiência hepática, e aqueles causados pela hipertensão portal.

Todo o sangue vindo das veias do trato digestivo (estômago, intestinos, pâncreas...) e do baço, drenam em direção a uma única grande veia que desemboca no fígado. Essa é chamada de sistema porta ou veia porta.


A existência do sistema porta garante que todas as substâncias absorvidas pelo trato gastrointestinal, passem primeiro pelo fígado antes de caírem na circulação sistêmica.

 

O paciente cirrótico possuiu um fígado cheio de fibrose (cicatriz), o que em fases avançadas obstrui a chegada de sangue ao fígado. Quanto mais extensa for a cirrose, maior é a obstrução ao sangue que chega pela veia porta.

 

Quando o sangue vindo dos órgãos abdominais encontra uma obstrução ao seu fluxo, a pressão na veia porta aumenta. Começa então um processo chamado de hipertensão porta.

 

O sangue quando encontra uma obstrução, não fica parado esperando a mesma acabar. Ele precisa voltar para o coração de alguma maneira, e se à frente há uma obstrução, o único caminho é voltar por outras veias.

A veia porta é bem calibrosa, e suporta grandes fluxos de sangue. O mesmo não acontece com as veias do resto do sistema digestivo. Quando o sangue que deveria ser drenado pela veia porta, começa a retornar em grande quantidade por veias colaterais, surgem as varizes.


As veias abdominais que são finas e recebem um fluxo baixo de sangue, agora são obrigadas a drenar todo o sangue que deveria chegar ao fígado pela veia porta.

Essas veias dilatadas ocorrem também nos órgãos, principalmente no estômago, intestino e esófago. Pode-se agora entender porque um dos sinais da cirrose é a presença de varizes de esófago, estômago e intestino.


Pronto. Entendido a parte de cima, já podemos explicar os sintomas da cirrose causados pela hipertensão porta.


a) Anemia, plaquetopenia (plaquetas baixas) e leucopenia (leucócitos baixos)


O baço tem como uma de suas funções eliminar as células do sangue que já estão velhas. Cada vez que o sangue passa pelo baço, milhares de células são removidas para que haja espaço para a chegada de novas hemácias, plaquetas e leucócitos recém-produzidos. Na hipertensão portal, o sangue que deveria sair do baço para o fígado, fica congestionado e permanece mais tempo dentro do mesmo.


Como o sangue fica represado dentro do baço, este acaba por eliminar mais células do que seria necessário. Este fenómeno é chamado de hiperesplenismo (espleno = baço), que significa a sua função exagerada.


Anemia e plaquetopenia são muito comuns na cirrose.


b) Esplenomegalia


O aumento da pressão de sangue dentro do baço leva-o a aumentar de tamanho, ficando facilmente palpável ao exame físico. Chamamos este aumento de esplenomegalia. Muitas vezes a suspeita de cirrose surge quando ao exame físico detectamos um baço aumentado de tamanho.



C) Hemorragia digestiva


A presença de varizes, no estômago e principalmente no esófago são um fator de risco para hemorragias. Esses vasos não estão preparados par receber tamanho fluxo e pressão sanguínea, podendo romper-se espontaneamente.


As hemorragias digestivas das varizes de esófago costumam ser dramáticas, com perdas maciças de sangue através de vómitos. O paciente vomita sangue vivo em grandes quantidades.


d) Ascite


Acumulo de água dentro da cavidade abdominal. É causado pela hipertensão portal e pela falta de albumina no sangue (explico à frente) constituindo-se em um dos sinais mais comuns da cirrose. Pode haver acúmulos de mais de 10 litros de líquido ascítico dentro da cavidade peritonial.


Uma das complicações da ascite é a peritonite, causada quando este líquido dentro da barriga infecciona. Também é um caso grave que se não for identificado e tratado a tempo pode evoluir com sepse).


Além do abdómen, pode haver acúmulo de líquidos nas pernas e no pulmão.


Os sinais e sintomas causados pela hipertensão portal costumam ser os responsáveis pelas emergências médicas nos pacientes cirróticos, principalmente a hemorragia digestiva e a peritonite.


Além da hipertensão portal, o doente com cirrose também apresenta sintomas pela falência de funcionamento do fígado em si.


e) Encefalopatia hepática


O fígado é o órgão responsável pela metabolização de inúmeras substâncias tóxicas. Quando este para de funcionar, o acúmulo de toxinas leva a alterações no sistema nervoso, que variam desde pequenas alterações mentais, até sonolência, desorientação, coma e morte.

 

f) Icterícia


O fígado insuficiente não consegue eliminar os sais biliares que passam então a acumular na corrente sanguínea. O tom amarelado da pele e dos olhos dos pacientes com doença do fígado ocorre pela deposição da bilirrubina nos mesmos.

 

O excesso de bilirrubina no sangue é filtrado pelos rins, deixando a urina escura, em tom de mate ou Coca-Cola.


A cor escura das fezes se dá pela presença de bilirrubina. Como não drenagem da mesma para os intestinos, as fazes começam a sair brancas. Portanto, urina escura e fezes claras são sinais de doença hepática.


g) Falta de proteínas.


O fígado é responsável pela produção de várias proteínas, entre elas a albumina. A falta de albumina causa edemas e ascite, além da desnutrição destes pacientes.


Outra proteína produzida no fígado é a vitamina K, relacionada a coagulação do sangue. Doentes com cirrose avançada apresentam distúrbios da coagulação que podem ser quantificadas por exames de sangue como TAP e INR.

 
É bom lembrar que as plaquetas, que também participam da cascata de coagulação, podem estar diminuídas pelo hiperesplenismo.


Imaginem então a gravidade do quadro de um doente com problemas de coagulação, com plaquetas baixas e com suas varizes de esófago sempre na iminência de se romperem. O paciente cirrótico quando sangra, o faz para valer, porque junta grandes quantidades de sangue associado a uma incapacidade de coagulá-lo para estancar a hemorragia.

h) Ginecomastia


O mau funcionamento do fígado também altera o balanço dos hormónios sexuais. O aumento do estrogénio leva ao aparecimento de mamas e perda de pêlos corporais nos pacientes masculinos.


i) Outros sintomas


Ainda existem vários outros sinais e sintomas relacionados a cirrose. Entre eles

- Cãibras



- Síndrome hepato-renal. É uma insuficiência renal aguda que ocorre na cirrose avançada e geralmente indica um caso terminal. O paciente que desenvolve síndrome hepato-renal tem uma sobrevida muito curta e o único tratamento é o transplante hepático.

- Eritema palmar: Palmas das mãos avermelhadas


- Baqueteamento digital: Unhas mais anguladas, dando o aspecto de baquetas aos dedos.

A cirrose em fases iniciais pode ser assintomática. Nas fases finais, a maioria dos sinais e sintomas descritos acima estão presentes.


A gravidade da cirrose é normalmente descrita pela escala de Child-Pugh, baseada em parâmetros clínicos e laboratoriais.


De acordo com esses resultados, os pacientes são classificados em 3 classes: A,B e C, sendo esta última a mais grave com mortalidade em 2 anos acima de 60%.


Existe também a classificação MELD, baseada na gravidade das análises de sangue.

Tanto o Child quanto o MELD são modos de se padronizar a gravidade da cirrose, servindo também como base para a lista de transplante hepático, que é até o momento o único tratamento efetivo para a cirrose."

in Abril.com

 

publicado por CH às 19:29
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